Flamenco e Identidade (6)

Atualizado: 26 de Jan de 2019

Para ilustrarmos como identidade e flamenco caminham juntos na vida de muitos artistas, tomaremos uma pequena cidade na província de Cádiz como exemplo: Jerez de la Frontera.




Falar sobre o flamenco em Jerez é deixar claro o orgulho que esta cidade possui em ser uma das mais importantes (e para muitos a mais importante) cunas del flamenco. Vale lembrar que, além do famoso Festival de Flamenco de Jerez, que já possui mais de 22 anos de história, ali está o Centro Andaluz de Flamenco, uma instituição dedicada à recuperação, conservação, investigação e difusão do flamenco. Também ali, a cada ano é celebrada a Fiesta de la Bulería, estilo mais associado ao flamenco jerezano. Sem mencionar a quantidade de zambomas, festas natalinas regadas a muito flamenco, que completam a programação anual de atividades ligadas a esta arte.








Porque ali em Jerez, o flamenco é vivido de forma intensa por muitos, profissionais ou aficionados, anônimos e artistas renomados, cada qual com sua própria e distinta personalidade, mas ligados por uma característica inconfundível: o soniquete.


Soniquete es llevar dentro el compás, el cante, el baile que está en tu alma. Hay un dicho gitano que acierta que cantando y bailando se te quitan el hambre, las penas y, simplemente, por cantar y bailar te sientes humano. (Chicharito de Jerez, famoso palmero jerezano)


Diferentemente da Escuela Sevillana de Baile, a dança flamenca em Jerez não constitui exatamente uma "escola" no sentido tradicional da palavra. Merecedes Ruíz, bailaora nascida em Jerez de la Frontera e um dos maiores nomes do baile atual, ao ser questionada sobre o estilo de baile jerezano respondeu:


Qué difícil la pregunta… Yo creo que existe digamos una forma, por ejemplo de bailar por bulerías, un aire ¿no? Pero escuela jerezana en baile, yo creo que no…no sé… Ana Parrilla, cuando bailaba se notaba que era de Jerez, pero por el aire que tenía, es la forma con la que tú puedes interpretar un palo, pero no creo que haya nada por ejemplo como la “escuela sevillana”, con una determinada colocación, o algo estipulado. (Mercedes Ruíz, bailaora jerezana)



Entretanto, embora não possamos falar de uma escola constituída em torno do baile de Jerez, é possível destacar algumas características que são marcantes entre seus bailaores:


- A naturalidade com que jogam com o compasso e brincam com a sonoridade de todo o corpo, utilizando, além dos pés, as palmas e os pitos (estalos dos dedos), produzindo o que chamamos de soniquete;

- A tradição de transmissão do cante e do baile jerezano se dá em ambiente doméstico, mais do que "acadêmico". Trata-se de um flamenco muito informal e familiar. Os dois bairros jerezanos onde o flamenco se vive mais intensamente são os bairros gitanos Santiago e San Miguel.

- Nestes bairros, as festas familiares, os encontro entre aficionados nas peñas, nos bares e nas calles acontecem com frequência, mantendo, assim, uma pulsação flamenca diferente do que acontece em muitos outros lugares.

- Não se trata de um baile de terra, como o granadino, mas sim, um baile de "ar", que lembra um pouco o flamenco sevillano;

- A espontaneidade do seu baile e a capacidade de improvisação e de unir-se profundamente ao cante;

- A cadencia do baile, que remete a tempos já idos, e a entrega dos bailaores quando se deixam levar pelas famosas bulerías, que, em Jerez, parecem criar um estado catártico.


Para conhecer mais sobre o flamenco de Jerez, sugerimos o documentário a seguir, exibido pela rtve na década de 1980, mas que ainda continua muito atual.




Para finalizarmos essa discussão, gostaríamos de convidar vocês a refletirem um pouco sobre a questão da identidade. Envie um e-mail para patricia.elmoor@gmail.com compartilhando sua resposta:

"Na sua opinião e com base na sua relação com o flamenco, fale um pouco para nós o que é ser flamenco para você e o que isso representa em sua vida."





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