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Oficina Flamenca 2015

Flamenco e Estética (6)

Updated: Jan 26, 2019


A Dança Flamenca nas principais cidades andaluzas


Muito embora o tema da geografia do flamenco não venha a ser abordado diretamente neste curso, o esforço aqui realizado foi o de encontrar, do ponto de vista da dança, elementos que remetam a características notórias do flamenco em algumas importantes cidades flamencas na Andaluzia.


Iniciaremos, sob a perspectiva do aspecto estético, uma reflexão sobre como o baile flamenco adquiriu características próprias em cada uma das regiões onde se desenvolveu. Tais diferenças, com o passar dos anos, foram se tornando cada vez mais discretas, porém, ainda hoje, é possível apontar elementos associados às principais localidades onde o flamenco se desenvolveu.




Sevilla


Sevilla, maior cidade da região da Andalucía, é, certamente, um dos mais importantes berços do flamenco, seja por sua história, seja por todo aporte artístico e cultural dado ainda hoje a esta forma de viver. Ela disputa com Jerez de la Frontera e Cádiz o “título” de cuna del flamenco, ou seja, são locais onde esta arte popularizou-se e profissionalizou-se em seus primórdios, ainda que sua origem não esteja exclusivamente restrita a este recorte geográfico.


É impossível falar em flamenco sem falar em Sevilla, e vice-versa. E, é igualmente impossível não pensar no Bairro de Triana, na Alameda de Hércules, nos Cafés Cantantes e na famosa Escuela Sevillana de Baile, inscrita em 2012 no "Catálogo General del Patrimonio Histórico Andaluz" como Bem de Interesse Cultural, pelo "Consejo de Gobierno" espanhol.



Foi Silverio Franconetti a pessoa que apostou fortemente em levar o flamenco para os Cafés Cantantes em Sevilla, tendo inclusive inaugurado o seu próprio estabelecimento, que foi um dos mais lendários de que se tem notícia.


Os cafés deram o apoio definitivo para que o flamenco chegasse a todas as classes sociais, tendo dado a criatividade necessária para que o flamenco evoluísse e se profissionalizasse, ainda que aos olhos de alguns críticos, eles tenham contribuído para que o flamenco conhecesse seu primeiro momento de decadência.


É importante mencionar que com a criação dos Cafés Cantantes e da Puente de Triana, ligando o bairro gitano ao centro de Sevilla, o flamenco se deslocou para a área nobre da cidade e, ao encontrar um público mais exigente, o nível dos artistas atingiu proporções jamais vistas.


A Alameda de Hércules era o principal ponto de encontro dos flamencos e dos aficionados no início do século XX. Por ali passaram e viveram grandes artistas, como, por exemplo, La Niña de los Peines, uma das maiores cantaoras daquela província e da história do flamenco.


Com relação ao baile, Sevilla também é referência, sendo a “escuela sevillana de baile”, seu maior tesouro. Essa “escola”, que surgiu em torno de 1830, se caracteriza pelo protagonismo da mulher frente ao homem e, entre suas características, se destacam, entre outras coisas, a feminilidade e a postura.


Entre os traços mais chamativos estão: a composição da figura, com a cabeça erguida, os ombros alinhados e a coluna ereta. Também são características do baile sevilhano a naturalidade, a elegância e plasticidade dos passos, o braceo harmonioso, os movimentos de ombros e "caderas", o rosto expressivo e o sapateado musical.


Essa escola de baile também faz uso de elementos importantes como a bata de cola, o mantón, as castanholas e o "sombrero".


A Escuela Sevillana do Baile nasce com Pastora Imperio, filha da lendária Rosario La Mejorana. Nela se cristalizam os modos e maneiras que hoje são características centrais deste estilo. E ela foi a fonte de onde beberam tantas bailaoras, tornando possível sua difusão ainda nos dias de hoje.


Seu baile, sugestivo, era uma mescla explosiva de graciosidade, temperamento, majestosidade…. Algumas vezes transbordava “tempero”, fogo e picardia... em outras ocasiões, quando bailava por soleá, era definitivamente algo solene. Levantava os braços com elegância, com lentidão, movia as mãos com suavidade e delicadeza, e sabia esculpir com seu corpo figuras de uma insólita beleza. Porém, acima de tudo, seu baile transmitia o próprio prazer que ela sentia ao dançar. Ela amava bailar e isso era contagioso.


Se Pastora Imperio foi responsável por acimentar a Escola Sevillana, ficou a cargo de Matilde Coral o mérito e a honra de transmitir, codificar e difundir sua essência.


Assista, a seguir, o vídeo com a conferência sobre a escuela sevillana de baile, gravada durante uma entrevista com a bailaora Matilde Coral.




Atualmente, este estilo deve a ela seu reconhecimento, pois sua academia, localizada em Triana, conservou, ainda que a duras penas, esta forma de bailar. Rara é a bailaora sevillana que não estudou com esta dama do flamenco e, com raras exceções, todas levam o “selo” da Escuela Sevillana em seu baile. Dentre aquelas que seguem valorizando este estilo, podemos citar: Milagros Mengíbar, Merche Esmeralda, Pepa Montes, Ana María Bueno, Loli Flores e Isabel Bayón.