Flamenco e Estética (1)

Atualizado: 26 de Jan de 2019

A Estética é uma especialidade filosófica que visa investigar a essência da beleza e as bases da arte. Ela procura compreender as emoções, ideias e juízos que são despertados ao se observar uma obra de arte. É natural ver esta disciplina levantar questões sobre a natureza da arte, as causas de seu êxito, seus objetivos, seus meios de expressão, sua relação com a esfera emocional de quem a produz, seus mecanismos de atuação – ela deriva de intenções instigantes, simbólicas ou catárticas? -; acerca do potencial humano de entendimento do conteúdo da produção artística, do significado do prazer estético.


Esta expressão nasce em fontes gregas, aisthésis, denotando ‘percepção, sensação’. As pesquisas concretizadas neste campo têm por meta atingir a natureza dos juízos e da intuição sobre o belo, compreender como agem os sentimentos na interação com os eventos estéticos, assim como pretendem analisar os mais diversos estilos artísticos e modalidades de produção. Da mesma forma a Estética também se ocupa do feio, da ausência do ‘belo’. (Fonte: Infoescola)



Ao longo deste curso, desejamos fazer um passeio pela história da dança flamenca a fim de analisarmos e conhecermos um pouco mais sobre como a noção estética dessa arte mudou nos últimos 150 anos. Parte dessa mudança pode ser compreendida a partir das transformações sociais ocorridas não somente na Andaluzia, mas em todo o mundo, que impactou na forma como o flamenco era e passou a ser visto.


Essa reflexão nos ajudará a entender, em parte, o papel determinante que alguns artistas tiveram na história do flamenco, pois revolucionaram a forma como esta arte era vista, sentida e compreendida dentro e fora dela.


Antes de darmos início a essa viagem no tempo, gostaríamos de compartilhar com vocês um dos vídeos mais antigos de que se tem registro de como o flamenco era interpretado no início do século 20.


Vale lembrar que, historicamente, a palavra "flamenco" levou algum tempo até ser empregada na forma que utilizamos nos dias de hoje. Futuramente, teremos a oportunidade de falarmos, tanto sobre essas imagens tão importantes para a história do flamenco, como também de que maneira a palavra se consolidou ao longo dos anos, gerando um conjunto de idéias imaginadas, projeções ou fantasias que indiretamente afetarão esta manifestação cultural e artística nos três aspectos que este curso se propõe a estudar: identidade, atitude e estética.



Durante anos, o bailaor que aparece neste vídeo foi identificado como o famoso Maestro Otero, um dos primeiros artistas a mostrar a dança flamenca para o mundo. Nas palavras do flamencólogo Juan Vergillos:


José Otero Aranda (Sevilla, 1860-1934) Maestro de baile flamenco, fue uno de los pilares del Arte como lo conocemos hoy día. Por su academia pasaron todo tipo de personajes de la época (la Reina Victoria fue discípula suya), actuando en la Exposición Universal de París de 1900, o en la coronación del rey Jorge V de Inglaterra. Actuó en Estocolmo, donde montó Carmen de Bizet en el Teatro Real en 1922, y Moscú entre otros lugares.También se encargaba de organizar fiestas y saraos a los visitantes ilustres que recalaban en Sevilla.

Su gran aportación al espectáculo flamenco fue el “Cuadro flamenco” que ya formaba con sus alumnos en 1892, llegando a formar cuadros de hasta 26 bailaoras. Su tratado sobre el baile, Tratado de Bailes de 1912, es una de las fuentes fundamentales de investigación sobre los bailes, flamencos y boleros, de finales del SXIX y principios del XX.


Durante muito tempo, pensava-se que era o próprio Maestro Otero o bailaor que aparece nese vídeo, rodado durante a Exposição de Paris em 1900 pelos irmãos Lumière. Porém, há pouco mais de um ano, Kiko Mora, professor do Departamento de Comunicação e Psicologia Social da Universidade de Alicante, publicou os resultados de uma pesquisa que teve o intuito de identificar o elenco dos filmes rodados naquela ocasião. Segundo ele, o principal bailaor deste vídeo é Jacinto Padilla, artista conhecido na época como ‘El Negro Meri’ ou ‘El Mulato Meri’, e não José Otero, como se difundia até então.


Independente disso, este vídeo é de fundamental importância por 2 motivos, em especial:

1. O vídeo deu maior visibilidade a este importante professor de baile de Sevilla, Maestro Otero, pois, ainda que tenha sido contestada a informação de que não é ele quem aparece na filmagem, é inegável que este grupo de artistas tenha pertencido à sua trupe.


2. Ele nos dá uma ideia de como o flamenco era interpretado para o público no início do século XX e nos permite tecer uma série de reflexões sobre o que esta arte representou naquele momento, suas principais características, o que a tornava tão distinta de outras danças europeias, entre outras coisas. Em outras palavras, além dos relatos dos viajantes românticos pela Andaluzia, que deixaram registros fantásticos sobre a dança e a música da época, este vídeo talvez seja um dos mais importantes pontos de partida do ponto de vista visual para se compreender a evolução da dança flamenca do ponto de vista de sua estética.



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